quarta-feira, 25 de novembro de 2009

VERSOS SEM NOME

Versos sem nome

Não enganarei os homens de meu tempo
Em meio ao caos à praticidade cômoda
Consumismo subjacente ao fluir da moda
Suspendi a caneta e escrevi [...].

Escrevo mais simples
[Que os meus amigos mortos]
Mais rápido,
E se erro...
A máquina corrige!
Escrevo em telas de plasma
Para quem lê e busca o desconforto.
Não escrevo pra mim
È para os outros.
Não faço versos de guerra em tempos de paz
(ou falsa paz).
Não falo da luta de classes
(Contra si ou contra as outras)
Como declamar moralidade e ser um falso?
Não quero saber da alienação dessa época
Reforço meu intelecto em vida que não vivi
Tive toda a praticidade de um poeta
Em outras vidas... e não aprendi.
Não serei como os meus irmãos intensos na vontade de viver.
Primeiramente respiro para depois escrever.
Pensei em ser meu ortônimo.
E o que sou?
Talvez, o talvez... talvez.
O pseudônimo do nada.
Nessa incompreensão de ser.
A indagação do tudo na insatisfação de querer.
Porém, ainda, não me achei.
Quando me encontrar
Voltarei...
Para, enfim, deveras escrever.

DINHO

INTIMIDADE

INTIMIDADE

Quando entrar a madureza em intimidade
E a reciprocidade invadir o peculiar. Um
E outro se peguem em meio à privacidade
Na espontânea naturalidade o feliçar comum.

Como outrora acontece, face verde à jovialidade.
A espreitar solenemente o presente momento.
Aproveitar-te-emos o tempo e a tranqüilidade
Embebidos em movimentos, atos e pensamento.
[Envolvidos]

Bem aventurados e afortunados, então, seremos.
Por vivenciar a pratica do ócio quão saboroso
Ao aproveitarmos o deleite regaço, vil colosso.
Desfrutar em terra o que o céu escondeu rancoroso.


HERALDO IZIDORO GOUVEIA

terça-feira, 24 de novembro de 2009

]ANSIEDADE

Os ardidos latidos dos cães com agouro ecoam.
Prenúncio da escuridão a disfarçar a insônia,
A boca melosa e o olfato da primavera coroam,
A entreter esse cansaço e ludibriar a sã loucura,
E desde já, o amarelado tom doce dessa colônia,
Carece degustar a papa dos anjos e a sua doçura.

Embora, para o outro dia, chegues a muito e depois...
E como não basta repudiar em te afastar esse anseio,
Cuide ser os sonhos do acordado o pior veraneio.
Eis a reflexão desastrosa e inibida dos desejos. Pois,
Ao esperar com vertigem a clareza do amanhã eleito.
Findará esse mal inquieto e oculto entrevado no peito.


HERALDO IZIDORO GOUVEIA

A CONHECIDA

A CONHECIDA

Minha bela Musa de bronze rosada
A esse poeta seja enamorada
Sem tu quereres és minha inspiração
Que madruga esses dias de solidão.
--------------------------------------------------------

Ainda que, à teus pés exalem gentilezas.
Responda com sorrisos apenas as finezas
Sem lhes empenhar em alguma consideração
Guarde os elogios a quem lhe mereça gratidão
---------------------------------------------------------

Se alguém te faltar [..], se queixe ao vento.
As mágoas passageiras diluem-se com o tempo.
Oculte no peito o efêmero sofrimento
---------------------------------------------------------

Feche-se em botão teu encanto de rosa.
O sol jamais viu outra assim, tão formosa!
Desde o princípio do firmamento.

HERALDO IZIDORO GOUVEIA

A DESCONHECIDA

A DESCONHECIDA

A DESCONHECIDA


Ai! Se seu nome já soubesse,
Tal verso seria vocativo.
No peito cativo fizesses
Estragos d’alma prometida,
Morte em vida assim sentida
Escravo ao teu imperativo.


Tal que tivesses outro nome
E assim fizessem com as rosas
Teriam, então, o teu perfume?
O sol que tudo vê e sabe
Até trancou em cofre a chave
O segredo de ser formosa.


Bastou apenas um relance
Estavas embora tão distante
E na minha frente o instante
Teu busto roliço, pleno viço!
Naquele pretensioso romance
Embriagou-me em teu feitiço


Mulher!Entorta vidas alheias?
Olhar de cigana engana, tapeia.
Braço lânguido em nudez inteira
Ó feiticeira. Qual alma incendeia?
Se numa noite me fizesses teu amante
Abafaria o remorso fel inconstante!

HERALDO IZIDORO GOUVEIA